No último dia 20 de maio, 34 alunos do curso Cinema de Animação, do Centro de Artes da Universidade Federal de Pelotas, estiveram em Porto Alegre para realizar atividades complementares, acompanhados pelos professores Alexandre Maschio e Carla Schneider. Durante o passeio, visitaram três estúdios/produtoras de animação em destaque no estado, entre eles o do Avião Vermelho, onde é realizado o nosso longa de animação.
No local, os estudantes conheceram como é um processo misto de produção da animação para o cinema, usando as técnicas 2D e 3D, tanto em rotinas artesanais (papel) como em formatos digitais (computador). Assistiram a nova versão do trailerdo filme.
Os professores responsáveis por estas atividades enfatizam a necessidade e relevância de oportunizar aos alunos esta aproximação entre os conteúdos vistos e exercitados em sala de aula com a realidade prática profissional. Isto envolve desde a mera observação dos profissionais em dia e ambiente de trabalho, até o debate a partir do relato e questionamentos que surgem neste contato direto com os profissionais da área. A percepção é que os alunos compreenderam vários aspectos da realidade profissional de sua área de estudos. Contudo, ainda participarão de um debate no qual serão revistos, avaliados e criticados elementos observados para que os novos conteúdos possam ser efetivamente incorporados.
“As Aventuras do Avião Vermelho” combina a tradicional técnica do desenho animado 2D, produzido em papel, com as possibilidades de movimentação espacial da animação digital 3D. Neste post detalharemos essa etapa, dando continuidade a série sobre as curiosidades de produção do filme.
O processo é realizado pelos modeladores 3D, Cristiano Lopes e Luiz Pellizzari, o Monty, em três momentos: no layout de cena, como referência para a pintura dos cenários e para animações mecânicas (veículos, máquinas, etc).
Todos os principais cenários e personagens do filme estão construídos no computador. Com isso em mãos, usando o storyboard e o animatic como base, eles criam o enquadramento final de cada plano, definindo a câmera e inserindo os personagens, indicando de forma bem básica a ação que precisam desenvolver, assim como quanto tempo deve durar essa ação aproximadamente. “É um esboço, um layout da tomada. A partir dessa referência e usando essas informações, os animadores 2D criam e desenham a animação de fato”, explica Monty.
No 3D usado para a animação e pintura de cenários, Cristiano e Monty modelam desde o personagem até o ambiente onde eles estão. A partir disso, o animador sobrepõe o desenho 2D e o cenarista pinta o background. “Como esses cenários existem no universo do computador como uma maquete virtual, podemos tratá-los como uma locação de verdade, andando e colocando câmeras dentro desse espaço como for preciso e assim dar aos cenaristas todas as imagens, informações de luz, cor, ângulos e quaisquer outros dados que eles venham a precisar”, conta.
O 3D também é utilizado no planejamento de movimentos de câmera e para a animação dos meios de transporte que há no roteiro, como o carro do pai, navio e até o personagem Avião Vermelho. Neste caso, são feitos inteiramente em 3D, a partir dos desenhos de base criados anteriormente pelo Moa, diretor de arte do filme, em 2D. “Esse tipo de animação sempre foi maçante no processo tradicional 2D. Mesmo num deslocamento simplório era preciso desenhar todos os frames desses objetos com uma rigidez quase mecânica. No computador com as ferramentas que temos à disposição -- em razão de já termos esses objetos construídos virtualmente -- podemos deformá-los e alterá-los como convier, de maneira bem prática e ágil, o que tornou esse tipo de animação bem mais amigável”.
“Uma das coisas que eu mais gosto no nosso trabalho 3D é que uma grande parte dele, a maior com certeza, se dilui no meio das etapas do processo e pouco dele se percebe no resultado final. Acho muito boa a sensação de contribuir para o filme dessa forma. Essa invisibilidade do trabalho aliada à noção da importância dele é muito satisfatória pra mim. É o prazer genuíno do trabalho em grupo visando o bem maior”, finaliza Monty.
Abaixo é possível conferir imagens que ilustram as etapas e um vídeo, em que Cristiano e Monty explicam um pouco mais do processo e mostram exemplos do trabalho aplicado no filme.
A partir deste post vamos apresentar etapas do processo de animação pouco conhecidas pelo grande público aqui no blog. Para começar, Alexandre Linck , responsável pelo Animatic, nos contou como funciona e para que serve esse processo.
O Animatic é, resumidamente falando, um story board que ganha movimento: um story board animado.
O story board é um esboço de como ficará a animação no final do processo. O Animatic seria esse esboço mais elaborado e completo, onde constam os movimentos de câmera e planos, imprimindo ritmo às cenas.
O objetivo desta etapa é dar uma idéia bem próxima de como ficará o projeto final para os diretores do filme. Alexandre faz todo o processo no computador já que o Animatic usado para o longa é feito em 3D. Depois de o material decupado – ou seja, descritas todas as ações nos tempos certos – ele anima os personagens sem grande sofisticação, mas com detalhes suficientes para passar o resultado esperado para a cena.
Neste vídeo apresentamos a evolução dos cenários do longa-metragem “As Aventuras do Avião Vermelho”. No passo a passo é possível conferir:
1. Desenhos;
2. Concept de pintura a partir dos esboços dos desenhos;
3. Modelagem em 3D, a partir dos desenhos;
4. Com o cenário em 3D pronto, os frames do cenário são retirados no enquadramento exato, finalizados e aprovados pelos diretores.
Vale destacar que com exceção dos desenhos, feitos à mão pelo Moa, nosso diretor de arte, todo o processo é digital.
Este filme recebeu o Prêmio Santander Cultural, Prefeitura de Porto Alegre, APTC do Concurso de Desenvolvimento de Projetos de Longametragem, edição 2003.