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Posts em ‘Erico Versissimo’

No teatro e na vida

4 set 11 | 2 comentários

O livro As Aventuras do Avião Vermelho tem atravessado gerações de leitores. É o caso da atriz Luciana Éboli e de seus filhos, Lucas e Mateus. Leia, a seguir, um relato da experiência de Luciana ao representar a personagem Josefina, na peça As Aventuras do Avião Vermelho, adaptada por Dilmar Messias em 1997, e a relação de seus filhos com o livro:

Luciana_m E O AVIÃO VERMELHO PASSOU PELA JANELA E SAIU VOANDO EM DIREÇÃO ÀS ESTRELAS…

Quando fui convidada para integrar o elenco da peça As Aventuras do Avião Vermelho, sabia que era um espetáculo trabalhoso, difícil de fazer, ao mesmo tempo repleto de muita beleza emoção para o público. Contar aquela história do Erico Verissimo no palco não era nada simples, mas o resultado tinha ficado incrível e eu, que já havia assistido, era encantada com o Avião e, portanto, estava disposta a encarar o desafio. Era o ano de 1997, e o diretor Dilmar Messias, ao dar continuidade ao trabalho depois de dois anos de sua estréia, vislumbrava, ainda, vida longa ao espetáculo e muitas emoções em Porto Alegre e pelas estradas afora.

Entrei para o elenco e ganhei de presente a personagem Josefina: ela, na (brilhante) adaptação do Dilmar, atuava como narradora da história, além de dar vida a toda sorte de figuras, adereços e bonecos da trama – uma mosca, um dragão, o ursinho –. Na trama, Josefina vivia as aventuras junto com o Fernandinho (feito com muita doçura pela Verinha Carvalho) e seu pai (interpretado pelo Daniel Lion, responsável, também, pelos premiados figurinos e cenário da peça). Em cena, contávamos a história; nos bastidores, fazíamos malabarismos para que tudo acontecesse em seu devido tempo e lugar. O espetáculo, assim, era composto por uma série de movimentos e efeitos que tínhamos que dominar, os três, para que a história chegasse ao público como a leitura do livro chega ao leitor: com simplicidade, objetividade, sensibilidade e muita imaginação. Tudo isso nos fazia viajar, atores, público, direção, equipe, pelo universo criado pelo Erico Verissimo através das muitas aventuras daquele avião – pequeno em tamanho, mas grande em sonhos.

Brincávamos de viajar por lugares distantes, víamos o planeta Terra – tão pequeno, tão único, tão inteiro, através da imagem do globo terrestre – e lembro, então, da marcante cena do diálogo entre pai e filho que me emocionava a cada apresentação: “O mundo, meu filho, é assim… redondo.” E o Fernandinho: “Então quer dizer que a gente pode brincar de jogar bola com o mundo, pai?” E logo o globo passava, leve, sobre a cabeça da minha Josefina, e pai e filho brincavam com o mundo, que era deles, mas que voava por nossas mãos – nós três jogávamos bola com o globo terrestre numa homenagem ao Chaplin, numa cena delicada, extremamente bem pontuada pela direção e mostrávamos, com convicção, de o mundo será sempre nosso enquanto estivermos contando ou ouvindo uma boa história.

Luciana 001_mE o tempo passou e…

O Lucas, hoje com nove anos, ganhou do avô dele o livro, que também já tinha lido quando era criança. O Mateus, seis anos, pegou o livro, gostou das ilustrações, começou a ler e então nós terminamos de ler para ele. Depois, o Lucas foi com a escola ver como se faz a animação do filme, ficou encantado e aí, nossa! O Avião Vermelho voltou com tudo lá para casa! Voltaram as lembranças da peça, a leitura do livro, os comentários, ou seja: vimos que o Avião ainda encanta com sua fantasia, com a capacidade de estimular a imaginação e de mostrar que ela é sempre, sempre, infinita… E que pode nos levar numa viagem pelas estrelas..! QUE BOM!!

Luciana Éboli

* Luciana Éboli, 39 anos, atriz e diretora de teatro, doutora em Letras e apaixonada por livros desde sempre.

Lucas e Mateus_m“Adoro os desenhos do livro, sei bem a história. Gosto quando ele encolhe, fica pequenininho e depois vão para a lua. Lá eles falam tudo ao contrário! Quando encontram uma cobra, fico com medo. Depois vão até a China! Na China fico feliz quando saem da barriga do porco e encontram o avião vermelho outra vez. Viajam num zepelim e acham marmelada dentro!! Puxa!”
Mateus Éboli de Almeida


“Gostei muito de ler o livro, já li mais de uma vez e sempre adoro. As aventuras do Capitão Tormenta são emocionantes e nos levam para vários lugares do mundo. O que eu mais gosto mesmo é do avião vermelho, que fica pequeno como os outros quando vão debaixo da lupa! Eu queria muito poder fazer como o Fernandinho, diminuir com os brinquedos e então ir à lua, pedir ‘setevros’, pois lá falam tudo ao contrário… e também poder ir em tantos lugares, voar alto e chegar na África, na China, virar um submarino no fundo do mar…

Quando vi criarem a animação do filme entendi como é que se faz, lembrei da história e fiquei com muita vontade de assistir. Também queria ter assistido a peça que a minha mãe fez, vi as fotos e devia ser divertido, mas eu não tinha nascido… Bom, li o livro, vou ver o filme. Muito legal!”
Lucas Éboli de Almeida

* Lucas Éboli de Almeida, 9 anos, está na 3ª série do CID, gosta de livros, cinema, teatro e de desenhar muito.

* Mateus Éboli de Almeida, 6 anos, está no nível IV do CID, gosta disso tudo e de música também.

 

O poder da leitura

19 abr 11 | embarque na conversa

Fernandinho

Um livro pode mudar o rumo de uma vida. Foi o que aconteceu com o personagem Fernandinho em “As Aventura do Avião Vermelho”, com a leitura de “O Capitão Tormenta” e com o escritor gaúcho Celso Gutfreind, após ler o livro em que se baseia nosso filme. Ele relata essa experiência literária no texto abaixo, publicado no jornal Zero Hora e gentilmente cedido por ele para o nosso blog. Confira!

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Eu era um guri de apartamento; desses que nunca teriam vaga de personagem em “O Tempo e o Vento”. A praça ou um lugar ao sol soavam feito música ao longe. Eu era um pequeno prisioneiro do concreto no 12º andar de um bloco 2. Tinha um cachorro, mas ele também era urbano, neurótico; gostava mais de elevador do que de grama, não sabia roer osso nem namorar; 12 anos depois, morreu solteiro e virgem; o resto de sua história é silêncio. Mas nessa época houve outro incidente, não em Antares, mas em Petrópolis: a família mudou-se para uma casa com quintal, árvore e música de vento em galho bem pertinho. Um solo de clarineta bem tocado. Finalmente, houve formiga, bicho-cabeludo, fruta madura e podre, caminhos cruzados entre um guri e uma vida. Mas cadê olhos para ver as cores, ouvidos para ouvir o solo, habilidade para subir no galho, jeito para cair?

Chegou o primeiro terapeuta, que era o segundo cachorro. Criado em quintal, tornou-se cadelhengo (”cachorro mulherengo”), teve seis ou sete casamentos e descendência farta. Meu pai foi processado pelo vizinho, dono de uma poodle com pedigree irretorquível até ser arranhado pela gravidez precoce e indesejada, obra extraconjugal do cadelhengo. Naqueles anos 70, o teste de DNA, se existisse, seria dispensado diante dos filhotes jamais assumidos pelo pai à cara deles. Mas o caso do guri era mais grave, incompetência para quintais, falência para árvores, alergia a terra e passarinho.

Foi quando chegou o segundo terapeuta: “As Aventuras do Avião Vermelho”. O guri Fernando, herói do livro, faria um bom profissional hesitar no diagnóstico: déficit de atenção com hiperatividade? Transtorno de conduta? O gordinho não parava quieto, não obedecia, não era bonzinho. Até que um livro também caiu nas suas mãos. Era a história de um avião bem valente com um capitão bem legal, o Tormenta.

Tormenta viajou no livro, Fernando viajou em Tormenta, eu viajei em Fernando. E fomos todos à África caçar leão e à Índia dar tiro em cobra. Eu continuava lendo no quintal, mas Fernando teve mais sorte; ganhou do pai um avião vermelho de verdade na mentira da história; daí ao sonho foi um tiquinho, Fernando fez amizade com urso e mosca e deu jeito de entrar pra valer naquele avião de ilusão. E viajou, tomou sorvete de estrela, salvou porco chinês, foi prisioneiro. E naufragou, mas com tanta imaginação que não foi difícil safar-se, voltar à tona no Brasil e me reencontrar no quintal.

Agora sim eu já não era um guri de apartamento. Sabia sonhar como Fernando, ousar como Tormenta e sobretudo imaginar como Erico. Já podia ver a cor da terra, ouvir o solo da clarineta, subir no galho e ir ao céu. Penso que nasci naquela história. E sinto que, graças a ela, não vou morrer solteiro e virgem.

*Celso Gutfreind é escritor e médico. Como escritor tem cerca de 20 livros publicados, entre poemas, contos infanto-juvenis e ensaios.

 

Dando asas à imaginação

26 jan 11 | 1 comentário

Encontramos na internet um site muito legal, o 1001 Roteirinhos, com dicas de atividades divertidas para pais e filhos. Um dos posts nos chamou a atenção: a editora de conteúdo Eliane Ceccon narra sua experiência e a de se filho de 4 anos na leitura de “As Aventuras do Avião Vermelho”, de Erico Verissimo, livro em que nosso filme é baseado. Fizemos contato com ela, que gentilmente nos cedeu seu depoimento e imagens para que publicássemos no nosso blog.

Ela inicia contando o passeio da família a biblioteca…

Queria ver se encontrava por lá “As aventuras do Avião Vermelho” de Erico Verissimo. Minha memória é realmente um horror, confesso! Ao ler sobre o livro, me interessei pensando ser uma ótima opção para o meu filhote, pois a história reunia aventuras e lugares que o meu pequeno costuma incluir nas suas viagens imaginárias. Mas a tal pulga veio e ficou a sensação de que eu já conhecia o livro. Pelas buscas que fiz pela web, como sou mais visual do que outra coisa, não reconheci a capa então não lembrei da história .

Quando a bibliotecária trouxe o exemplar, como eu imaginava, reconheci a capa na hora! Era exatamente o livro que eu tinha lido na época da escola e tinha adorado! Mas só lembrava de fragmentos, praticamente só a parte da viagem que se passa na lua, onde tudo é invertido. Setevros – sorvete ao contrário – foi uma coisa que nunca saiu da minha cabeça! Vai entender…

Feliz da vida, levei o livro pra casa pra curtir com o pequeno e relembrar um pouco das sensações e histórias da minha infância. E ela é mesmo uma delícia! Fernandinho, um menino da pá virada, ganha do pai um livro que conta as façanhas do Capitão Tormenta. Encantado, ele pede um avião vermelho de presente sonhando viver suas próprias aventuras. É bacana ver o encontro do garoto com o mundo da leitura. Divertida, fantástica, envolve a criança na fantasia que ao mesmo tempo tem um quê de ser possível de realizar pelo olhar dos pequenos. Assim que acabou o livro e conversamos sobre nossas partes preferidas, meu mini-explorador perguntou se podíamos fazer a experiência com a lente de diminuir. Simples assim.

E como dificilmente as coisas acontecem por acaso (basta olhar com um pouquinho de atenção que a gente percebe que tudo está entrelaçado), para completar descobri que está em fase de produção e com finalização prevista para 2011, o longa de animação infantil que vai levar para a tela grande a adaptação do livro. Emprestando suas vozes aos personagens, atores como Milton Gonçalves, Lázaro Ramos e Zezeh Barbosa.

Adorei saber e vou adorar mais ainda assistir! Ótima história e animação brasileira, tomara que consigam logo todo o apoio necessário para finalizar o filme!

http://1001roteirinhos.com.br/

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Imagem do livro

Filho da Eliane aprecia leitura

 

Um livro que marcou

25 nov 10 | 1 comentário

Você já sabe que o livro preferido do Fernandinho é “O Capitão Tormenta”.
Mas você recorda qual foi o livro que marcou a sua infância?

Cláudio Mércio, professor de jornalismo da Faculdade de Comunicação Social (Famecos) da PUCRS, lembra. Foi “As Aventuras do Avião Vermelho”, de Erico Verissimo, Editora Globo (1971), que ainda guarda como lembrança. Confira o depoimento  que ele nos enviou junto com imagens desta edição, feitas por Vera Maria Rabello Muccillo.

As Aventuras do Avião Vermelho

Um dia – lá por 1972, 1973 – meu pai chegou com o livro “As Aventuras do Avião Vermelho” em casa. Eu ainda não sabia ler. Tinha cinco anos. A tarefa ficou para meu pai, que é o melhor contador de histórias que conheço. Depois, nunca mais parei de “ler” as ilustrações. Ficava horas e horas em cada figura. Analisava cada detalhe. Acreditava que um dia poderia fazer as mesmas aventuras do personagem Fernando. Nunca me conformei com o fato de no final o aviãozinho ter ficado todo quebrado. Até tive um pouco de raiva de Fernando. Como aquele menino pode fazer isto com o melhor brinquedo do mundo? A TV ainda era em preto e branco. Videocassete, computador. Nada disso existia. Então, o livro – em uma analogia forçada – era a minha Internet. Com ele, naveguei horas infinitas. Conheci outras culturas e até outros planetas. É o livro mais importante da minha infância. ‘O Tempo e o Vento’, ‘Música ao Longe’, “O Senhor Embaixador”. Nada disso! O meu Erico é o de “As Aventuras do Avião Vermelho”.


Se este livro também marcou a sua infância de alguma forma, compartilhe conosco. Mande seu depoimento para imprensa@aviaovermelho.com.br e tenha sua história publicada aqui!

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As aventuras no livro

1 out 10 | 1 comentário

livros

É sempre importante ressaltar que o nosso filme é baseado no livro “As Aventuras do Avião Vermelho”, do autor Erico Verissimo, publicado em 1936.

Levar para a telona esta história, que há setenta anos encanta gerações, é um dos destaques do nosso projeto. Erico Verissimo já  teve 12 obras adaptadas para o cinema a televisão. Mas, é a primeira  vez que uma obra infantil sua vira um longa-metragem.

O livro já vendeu mais de 300 mil exemplares no Brasil. A primeira edição foi publicada em 1936. No centenário do autor, em 2005, a obra ganhou uma edição especial para leitura braile.

Para fazer uma homenagem ao livro e ao autor, disponibilizamos aqui capas de edições da obra. Alguma dessas pode já ter passado pela suas mãos.

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